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Motor

O primeiro dia de rali
Autor: Marcelo Pedreira


Leilane lembra do primeiro dia de prova como um dos mais assustadores: "Os meninos já tinham me avisado que eu não ia poder tomar banho, comer direito, dormir direito, essas coisas. Mas, não comentaram nada sobre os abismos. O trajeto era composto de caminhos estreitíssimos e abismos imensos. Eu passei o tempo todo rezando para o anjo da guarda do Thomas."

Mas, no final do dia a surpresa: haviam vencido a primeira etapa. "Naquele momento, a jornalista começou a ceder espaço para a competidora. O bichinho da competitividade havia me mordido."

Leilane também logo descobriu a dura realidade de participar de um rali como aquele: "O Paris-Dakar é programa de francês: boa comida, bons vinhos e nada de banho. Nos dezessete dias só consegui tomar um banho quente. Dormia numa barraca, sobre um chão duro de pedra, apenas umas 4, 5 horas por noite, escutando ao fundo o som ininterrupto dos motores, que eram regulados de madrugada pelos mecânicos."

Dá para relaxar e curtir a viagem?

"Fiquei impressionada com a capacidade de resistência do corpo humano. Tomávamos o café da manhã às 6h e só íamos comer novamente às 21h, 22h. Era impossível comer durante o trajeto. O deserto do Marrocos, por exemplo, é quase todo pedra. É um tormento para a máquina e especialmente para o ser humano. Parece que você está dentro de um liquidificador, de uma trituradora, 16, 17 horas por dia."

Além disso, é impossível relaxar durante o caminho. A atenção tem que ser total. Diariamente, as equipes recebem um trajeto da organização que pode variar de 100 a mais de 1000 km e precisam cumpri-lo no menor período de tempo possível. As equipes sempre andam no limite, algumas até acima.

"Logo aprendi a gostar bem mais dos trajetos maiores. Se a organização te dá um trajeto de 1000 km, com certeza é muito mais fácil do que um de 100. Existiram ocasiões em que o caminhão teve que andar a 2 km/h, como um dinossauro, pneu por pneu, passando por cima de um mar de pedras."

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