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Motor
A sintonia com a equipe
Autor: Marcelo Pedreira
Na planilha do trajeto também são apontados os trechos de perigo com uma, duas ou três exclamações. Quanto mais exclamações, maior o perigo. Leilane conta uma passagem que ilustra bem a necessidade de um bom entrosamento entre os membros da equipe:
"Num determinado trajeto, havia a marca de um ponto de grande perigo, indicado por três exclamações. O André Azevedo, que era o navegador, leu para o Thomas: ‘três exclamações, 5 km, perigo’. E o Thomas com o pé embaixo no acelerador. E o André continuou lendo: ‘Thomas, três exclamações, 2 km, perigo’. Nada dele diminuir. E a situação continuou... 500, 100, 50, 10 metros. Caímos num buraco imenso e batemos de cara. Por muita sorte o caminhão resistiu."
"O André deu uma bronca nele, dizendo que ele precisava confiar nas indicações da planilha. O piloto é que está no comando, é ele que no final das contas tomas as decisões, mas ele precisa estar em sintonia com sua equipe. O navegador avisa, mas o piloto faz o que ele quer. Isso assustava um bocado a gente, porque diariamente existia risco de vida."
Os conflitos políticos
Outro temor de Leilane era atravessar países que tinham conflitos políticos: "O meu grande medo era explodir numa mina. Eu tinha visto um caminhão dois anos antes que tinha explodido porque havia saído um pouco da rota. Aquilo me preocupava, porque não existe nada que você possa fazer."
Além disso, também tem a ousadia dos terroristas: "Nesse ano, eles bloquearam a estrada e o rali teve que parar e um pular um trecho por via área. No ano em que participei, aconteceu um "arrastão", onde os terroristas fecharam a passagem num desfiladeiro e assaltaram 50 equipes. Por sorte, nós passamos por ali meia hora antes deles chegarem."
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