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Preconceitos e machismos
Autor: Marcelo Pedreira


Quanto ao fato de ser mulher, Leilane conta que não recebeu qualquer privilégio: "Os homens fazem questão de não fazer qualquer concessão às mulheres do rali. Parece que eles querem dizer: ‘bom, vocês não quiseram vir, invadir nossa área, então agüentem’."

O preconceito na categoria de caminhões é ainda maior, pois os concorrentes são mais velhos, conservadores e passam o dia inteiro bebendo cerveja: "Nosso caminhão era meio marginal, pois éramos considerados os jovenzinhos inexperientes e, ainda por cima, com uma mulher no meio. O único luxo feminino que eu me proporcionava era um creme hidratante antes de dormir."

Vale a pena?

Mas, a pergunta que todos fazem é se no final tanto sofrimento vale à pena. Leilane responde:

"O deserto é um sofrimento enorme, o calor é um sofrimento enorme, sacudir é um sofrimento enorme, estar de capacete 17, 20 horas por dia é um sofrimento enorme, mas o visual da viagem é um bálsamo, um remédio para todas essas dificuldades. A impressão que dá é que a natureza não quer você ali, que a natureza dificulta o tempo todo a presença do homem. Mas, a gente continua desafiando-a diariamente e aprende a conhecer nossa capacidade de superar nossos próprios limites."

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