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Canyoning

Um lugar muito especial
Autor: Carlos Zaith


Precisaríamos de cordas para vencer esse obstáculo! Do alto dessa cascata tínhamos uma visão vertiginosa do vale que é muito escarpado à sua direita. Paramos ali para o "almoço" e devoramos alguns sanduíches, cereais e chocolates em barras e frutas frescas, para dar uma "segurada". Eram 14h quando começamos a grampear a rocha, na falta de uma árvore mais robusta, para ancorar a corda e descer de rapel.

Essa queda, também batizada de Cachoeira do Assombro, possui uns 40 metros, é estreita e concentra toda a água numa rampa de 70 graus de inclinação. É uma queda positiva! Armamos o rapel na margem esquerda, mais segura, onde cravamos dois spits para a “ancoragem de abandono”. Perpassamos a corda até a metade do seu comprimento por uma argola e lançamos suas pontas pela encosta abaixo. Uma delas, levada pela força da água, ficou presa. Desci na frente para desenroscá-la e avaliar o lance seguinte. Desviei a trajetória do rapel, subindo num patamar, onde instalei outro spit para a minha segurança e para dar assistência aos demais.

Assim evitamos um “poço de recepção” bastante turbulento, que poderia ter comprometido nossa segurança se a corda continuasse presa lá. Todos desceram e puxamos a corda retirando-a da argola e lançando-a agora, a partir de uma árvore e concluímos essa etapa. Recolhemos todos os 100 metros de corda numa mochila de modo a reutilizá-la assim que fosse novamente necessário. Ao pé dessa cascata já dava para avistar melhor a queda seguinte! Esse trecho entre as duas quedas é fantástico.

Segurança em primeiro lugar

Com o sol rasante do inverno e a vegetação muito densa no fundo desse vale, teríamos de ser rápidos para não ficar no escuro. Gastamos muito tempo fixando spits nas cachoeiras anteriores e teríamos de regrampear essa queda, pois os grampos deixados lá, estavam bastante deteriorados.

Foi nessa queda, que em 94, um praticante se deu muito mal ao derrubar sobre si, um bloco de basalto, que lhe arrebentou o ventre, num dos primeiros e mais sérios acidentes desta modalidade no Brasil. Portanto, vai aí um aviso: todo cuidado é pouco em paredes com o basalto muito fragmentado, como é o caso da maioria das cachoeiras da “Cuesta de Botucatu”, que soltam pedras ao menor esbarrão! Recuperamos um dos spits e batemos mais dois outros, onde ancoramos a corda principal e outra auxiliar para qualquer eventualidade.

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