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Canyoning

A Cachoeira da Pedrada
Autor: Carlos Zaith


A “Cachoeira da Pedrada”, que também pode ser chamada de Cachoeira Dona Anninha, devido ao nome que aparece no frontispício da pequena hidrelétrica localizada mais abaixo ali perto, mede 30 metros e é totalmente vertical. Lançamos a mochila com a corda principal no poço lá embaixo e esta se desenrolou perfeitamente. Lançamos a segunda corda, a qual utilizei para fotografar essa última descida, em paralelo a uns 4 metros da deles.

Cláudio rapelou primeiro para fazer a segurança dos demais, enquanto fiquei no meio da parede para fotografá-los de um ângulo privilegiado. Notamos as pedras soltas por toda a extensão do rapel e redobramos os cuidados. Algumas pedras caíram e concluímos que é um lugar bastante perigoso para a prática de cascading!

Voltando à tona

Wilson, que ficou por último, soltou a corda de segurança assim que cheguei, protegeu os spits com vaselina e desceu calmamente. Tudo desarmado, guardamos rapidamente as coisas e continuamos em frente. Restava agora descer mais um pouco pelo leito e chegar à via de escape, já bem próxima. Outras belas corredeiras e uns escorregas (que estavam muito rasos devido à estiagem) e chegamos nas ruínas da “Dona Anninha”. Não resta infelizmente, muita coisa dessa pequena usina. Avistamos um bando de macacos que ruidosamente se afastaram pela copa das árvores percebendo a nossa presença. Ainda encharcados, iniciamos a subida por uma trilha íngreme, deixando um rastro molhado e escorregadio para os detrás.

A trilha, se é que se pode chamar assim, deveria ter sido muito bonita e conservada no passado, pois servia de acesso à usina. Durante a subida, vimos os restos da tubulação de água destinada ao gerador e também os pilares de ferro do que foi um corrimão e que deveria, talvez, percorrer toda a extensão desse caminho. À medida que fomos subindo, a vegetação bastante fustigada pelo inverno foi aos poucos deixando transparecer alguns pontos dessa furna. Quase no alto, chegamos num mirante que descortinava finalmente, todo o vale do Peixe, banhado com os últimos raios de sol daquele dia. Um grande espetáculo!

Atingimos o alto da serra e chegamos na estrada precária a qual encalhamos a caminhonete naquela manhã, completando um circuito de 6 horas. Nesse lugar a cana havia sido retirada e o solo estava todo revolvido e exposto à erosão. Mesmo depois de chuvas fracas, aquela areia toda iria acabar no fundo do Peixe, alterando mais e mais seu ecossistema.

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