|
Canyoning
O mundo não acabou
Autor: Carlos Zaith
Partimos na manhã seguinte rumo à "mística" Alto Paraíso. Lá, compramos o que faltava e apanhamos mais dois integrantes da equipe: o guia Manoel Pacheco, um grande conhecedor da Chapada e o canionista Juliano Dantas, também do DF. Tomamos novamente a GO-118 e continuamos viagem até Cavalcante, há mais 100 km dali.
Contornamos toda a Serra de Santana e atravessamos essa pequena cidade, que até pouco tempo sobrevivia principalmente da mineração de ouro e que agora aposta na alternativa do turismo, confiante no enorme potencial de rios e cachoeiras que possui. Seguimos até a Fazenda Renascer, onde conhecemos o "calunga" Jovino, que prontamente se somou à expedição, apesar de nos alertar que já tinha tentado chegar ao São Domingos com um compadre, mas quase desmaiou de cansaço e retornaram à fazenda.
Munidos de mapa, bússolas, GPS e dois dos melhores guias da Chapada, não tínhamos dúvidas de que chegaríamos ao nosso destino e pelo caminho mais curto possível! O vale do São Domingos
Nenhuma trilha existia e de cara enfrentamos uma subida em meio a pedras soltas. Subíamos acompanhando o vale do rio São Bartolomeu, sempre em sentido sudoeste. Tudo absolutamente seco devido à estiagem do inverno, mas com a segurança de um céu sem nuvens!
Atravessamos inúmeras áreas queimadas, várias grotas e nem sinal de água para saciar a sede. Foi preciso racionar o que tínhamos levado nos cantis para aplacar o calor abrasador. Jovino e Pacheco iam à frente dando o ritmo das passadas e nós tentávamos acompanhá-los como podíamos.
Num determinado momento, Sylvestre tropeçou com a câmara de vídeo na mão e bateu violentamente com o joelho. Achamos que seria o fim das gravações da expedição mas tanto a câmara quanto ele resistiram à queda.E tocamos em frente!
Apesar de agreste, o cerrado não é feito só de espinhos, e nos reserva muitas surpresas agradáveis, como o belo pepalanto, que lembra algo como uma explosão de fogos de artifício. Outra surpresa muito agradável, foi a de encontrarmos pequenos cajus ao longo de todo o percurso, muito vermelhos e adocicados. Além da flora, uma das mais ricas em espécies, a fauna também é variada: veado-campeiro, lobo-guará, tatus, tamanduás e inúmeras aves.
|