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Canyoning
Pura magia
Autor: Carlos Zaith
Logo após o poço, o rio desaparecia por completo, infiltrando-se e correndo sob os imensos blocos. Identificamos vários sumidouros entre os blocos, que são armadilhas mortais se alguém cair ali ou for tragado por um deles quando o rio estiver mais cheio e dissimulado pela correnteza.
Galgamos outros blocos e conseguimos atingir novamente o rio mais abaixo, por onde ele ressurgia, num belíssimo efeito de luz e sombras. As rochas muito polidas, refletiam, à contra-luz, em belíssimos tons prateados. Nesses momentos de pura magia, pude constatar o quanto um lugar assim tem de beleza e de perigos.
O vão para o infinito
Mais adiante o cânion se "arrasou" e fomos transpondo os tramos e piscinas a pé, sem a necessidade de cordas, até a cachoeira seguinte. Essa sim, de uns 10 metros, precisou de um novo píton e mais um rapel.
Logo após uma série de cascatas em positivo de uns 40 metros de desnível, seguido de um grande poço, abre-se uma "janela" para o vão, de onde nos deparamos com a longínqua Serra do Ministro, numa visão aberta de mais de uma centena de quilômetros de sertão. Fizemos ali, mais uma série de fotos e mais algumas tomadas de vídeo, usando inclusive, uma micro-câmera. E comemos ali, nosso "almoço", contemplando o que ninguém antes de nós contemplou...
Cravamos o último píton e fomos descendo demoradamente essas últimas quedas, que se despejam em "marmitas" e "garrafões" (poços profundos e arredondados formados pela torrente), em outra série de cascatas, onde a água graciosamente "lambe" a rocha, fazendo curvas sobre patamares e lajes expostas ao sol.
Nesse ponto, o rio vai perdendo sua força. Brincamos num pequeno mas gostoso tobogã, mas a festa infelizmente acabou! O canyoning perdia agora seu sentido de esporte de ação num rio tão plácido, correndo numa imensa planície aberta.
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