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Na História
A saga de Schackleton
Autor: Marcelo Pedreira
Um navio completamente preso no mar congelado, à latitude de 74 graus sul e à mercê dos ventos e correntes que o levavam cada vez mais longe de seu porto de destino. Esse era apenas o prenúncio do que viria a se constituir a maior prova de superação humana que se tem registro na história. »»»
"Está quase no fim... O navio não vai agüentar esta vida, comandante. É melhor se preparar, pois é só uma questão de tempo. Ainda pode levar meses, só algumas semanas, ou mesmo dias... mas o que o gelo prende, o gelo não larga mais."
O calendário marcava 12 de julho de 1915. O navio em questão era o Endurance, uma embarcação de madeira idealmente aparelhada para enfrentar o gelo. As palavras eram de Sir Ernest Shackleton, um explorador que já havia participado de duas expedições anteriores à Antártida, e a cena era terrível: um navio completamente aprisionado, em meio ao mar congelado, à latitude de 74 graus sul, à mercê dos ventos e correntes que o levavam para cada vez mais longe de seu porto de destino.
A Expedição Imperial Transantártica tinha por objetivo atravessar o continente antártico a pé e de trenó. Para isso, o Endurance partiria da Ilha Geórgia do Sul, uma estação baleeira habitada por noruegueses, cruzaria o Círculo Polar Antártico, atravessaria o traiçoeiro Mar de Weddell e aportaria na Baía de Vahsel, de onde uma turma desembarcaria para a travessia por terra, até o Mar de Ross. Porém, as condições de navegação naquele ano estavam especialmente difíceis, com o banco de gelo estendendo-se muito mais ao norte do que jamais tinha sido registrado.
Momento de decisão
Shackleton, líder da expedição, foi aconselhado pelos baleeiros a esperar até que o verão austral estivesse mais adiantado e, assim, a estadia na ilha acabou durando um mês inteiro. Como as condições não melhoravam, os noruegueses sugeriram que a expedição fosse adiada para a estação propícia do ano seguinte. Mas, Shackleton sentiu que aquela seria sua última chance e decidiu partir na manhã de 5 de dezembro de 1914. Ele não poderia imaginar o que vinha pela frente...
Enfrentando condições totalmente adversas, o Endurance percorreu mais de 1.500 km antes de parar, a menos de 200 km de seu porto de destino. Ventos muito fortes de nordeste, que sopraram quase que ininterruptamente por seis dias seguidos, tinham comprimido o vasto banco de gelo espalhado no mar – o pack – contra a plataforma de gelo do continente antártico, aprisionando o navio em meio a sua massa. A temperatura de quase 15 graus negativos, acabou transformando todo aquele banco de gelo numa massa única e contínua, que impulsionada pelas correntes do Mar de Weddell levavam o Endurance cada vez mais para o norte.
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