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Na História

Aventura e superação
Autor: Marcelo Pedreira


Apesar das tentativas de libertar o navio e encontrar fendas que levassem ao mar aberto, o Endurance permanecia preso no gelo e o verão chegava ao fim. No dia 24 de fevereiro, Shackleton deu ordens para que a rotina do navio cessasse e o destemido Endurance foi oficialmente transformado em estação de inverno. Não havia esperanças que o gelo se partisse antes da primavera.

Porém, submetido às terríveis pressões provocadas pelo movimento das placas de gelo, o navio começou a fazer água; no dia 21 de novembro de 1915, afundou. Os homens, que já o haviam abandonado, construíram um acampamento improvisado e a idéia agora era caminhar pela banquisa de gelo, carregando os três botes engatados, até atingirem uma abertura para o mar.

No mais temível oceano do planeta

Após duas tentativas frustradas, chegou-se à conclusão de que a tarefa era impossível. Não restava outra alternativa senão esperar que a banquisa se partisse para poder jogar os botes ao mar. Uma espera que demorou 6 longos meses. A caça era escassa e os cães tiveram de ser sacrificados. As tempestades e a umidade constante transformaram a vida desses homens num verdadeiro inferno branco.

Em 9 de abril o gelo finalmente se abriu e Shackleton deu a ordem para lançar os barcos. Os 28 homens tinham ficado 15 meses à deriva numa banquisa de gelo, comendo e dormindo mal, mas suas verdadeiras provações mal haviam começado. Divididos em três pequenos botes, suportaram sete dias apavorantes em barcos abertos, no início do inverno antártico, em pleno Atlântico Sul, até chegarem à ilha Elephant em 15 de abril. Há 497 dias aqueles homens não pisavam em terra firme.

A ilha Elephant estava longe de ser um paraíso: era um lugar inóspito e hostil, além de estar completamente fora de qualquer rota de algum navio baleeiro. Não havia escolha: era preciso tentar chegar até à estação baleeira da Geórgia do Sul. Quando Shackleton comunicou no dia 20 de abril sua decisão de levar 6 homens para alcançá-la a barco, todos os experimentados oficiais e marinheiros sabiam o que enfrentariam.

A ilha da Geórgia do Sul ficava a cerca de 1.300 km de distância, mais de dez vezes a distância que tinham acabado de percorrer. Para alcançá-la, aquele bote aberto de 22 pés precisaria atravessar o mais temível trecho de oceano do planeta, em pleno inverno. Iriam encontrar ventos de 130 km/h e ondas imensas, os notórios vagalhões do cabo Horn, medindo até 20 metros da base à crista.

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