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Na História
Mar, montanhas e companheirismo
Autor: Marcelo Pedreira
Foram 17 dias sob as mais terríveis condições. Enfrentaram um furacão que pôs a pique um vapor de quinhentas toneladas com todos os homens a bordo. Porém, ao longo dessa provação, os seis homens, juntos, mantiveram uma rotina de bordo, uma estrutura de comando, um revezamento de tarefas que permitiu a superação das circunstâncias mais adversas que um navegador pode enfrentar.
Chegaram à Ilha Geórgia do Sul em 10 de maio de 1915 e precisaram enfrentar o interior da inexplorada ilha, em meio a um relevo sinuoso, escarpado e pontuado por geleiras gigantescas. Em 20 de maio, após 36 horas de caminhada, chegaram à estação baleeira. Estavam salvos, mas para Shackleton só havia um pensamento: resgatar os homens que ficaram na Ilha Elephant.
Devido à I Guerra Mundial, a Inglaterra não dispunha de navios para o resgate. Shackleton percorreu então Argentina, Uruguai e Chile, numa luta desesperada contra o tempo para encontrar um navio que suportasse a viagem de volta.
O resgate
Três meses depois, a bordo de um pequeno rebocador cedido pelo governo chileno, Shackleton chegou a ilha onde deixou seus companheiros. Ele era reconhecido por sua dedicação e preocupação com seus comandados. No decorrer da tragédia, deu inúmeros exemplos de desprendimento e companheirismo. Para ele, seria imperdoável encontrar algum de seus homens morto.
Ao avistar a Ilha Elephant, Shackleton pegou seu binóculo e contou as silhuetas humanas que se amontoavam na praia: 22. "Ele guardou o binóculo na caixa e virou-se para mim, com o rosto exprimindo mais emoção do que eu jamais tinha visto", escreveu o comandante do navio. Todos os 28 homens voltaram a salvo para suas casas. Inacreditavelmente, quando tempos mais tarde Shackleton convocou todos para uma nova expedição à Antártida, ninguém recusou...
Fonte: "Endurance", de Caroline Alexander - Companhia das Letras
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