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Na História

As mentiras...
Autor: João Paulo Barbosa


As evidências de que Cook mentia começavam a aparecer. Primeiro, porque dificilmente alguém se aventuraria em tal rota para comprovar sua veracidade. Segundo, porque ele deixou seu único companheiro europeu e a maior parte de seus esquimós esperando, seguindo viagem com apenas dois. Vale lembrar que todas as expedições que viajavam pelo Ártico eram superequipadas, tendo inclusive apoio externo de retaguarda.

O relato de sua chegada ao Pólo Norte, em 21 de abril de 1908, parece ficção. As descrições eram muito otimistas, como por exemplo o dado de que avançavam quase 30 km por dia. Enfim, o anúncio de sua 'conquista', em 2 de setembro de 1909, gerou festa na mídia sensacionalista, mas exploradores famosos tiveram dúvidas quanto ao ocorrido e comitês foram abertos para investigar a expedição.

Resultado: os documentos apresentados por Cook eram insatisfatórios. E, se ele tivesse feito o caminho escolhido, certamente descobriria uma ilha, a hoje conhecida ilha de Meighen. Ele nada disse a respeito. Para concluir, um dos partidários de Peary entrevistou os dois esquimós que acompanharam Cook e ambos afirmaram que nunca estiveram distantes mais de dois dias de viagem da costa.

A experiência de Peary

Depois da fracassada tentativa, em 1906, de atingir o Pólo Norte - apesar do novo recorde alcançado -, Robert Edwin Peary (1866-1954) conseguiu patrocínio para mais uma expedição, mas seus 50 anos de idade e seu debilitado estado físico estavam contra ele. Quase 800 milhas de ida até o Pólo Norte e mais a volta não seriam tarefa fácil. E Peary estava ciente de que seria a última tentativa.

A última expedição de Robert Peary ao Pólo Norte começou em julho de 1908, quando seu navio, Roosevelt, partiu de Nova Iorque. Em agosto, Peary passou no nordeste da Groenlândia e se abasteceu com 34 esquimós e mais de 200 cachorros. Em setembro, invernaram no norte da ilha de Ellesmere.

Robert Peary continuou fazendo progressos e, em 28 de março, já havia superado seu próprio recorde de 87 graus de latitude norte, estabelecido em 1906. Em 1 de abril, Peary seguia viagem acompanhado apenas de seu fiel braço-direito, Matt Henson, e de mais dois esquimós.

Em 6 de abril, Peary relatou a conquista do Pólo Norte como sendo "meu sonho por mais de vinte anos. Meu enfim! Não consigo me dar conta de que realmente estou no topo do mundo. Parece até um lugar simples e comum!" Peary viveu 11 anos depois de seu triunfo polar, mas nunca sentiu o prazer da glória publicamente.

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