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Na Estrada
A beleza das aves
Autor: João Paulo Barbosa
Outra vantagem de acordar cedo é que as aves são mais ativas pela manhã. Antes de chegar aos campos de altitude (2.000 metros), onde a vegetação fica mais rasteira, é comum observar beija-flores, aracari, pica-paus, periquitos e picaparras.
O calor constante se mescla com a chuva e a umidade extrema em perfeita harmonia. O terreno é muito molhado e acidentado. É preciso pular troncos, subir segurando em raízes, agachar embaixo de teias de aranhas, atravessar poças d'água e rios. O mais irritante, dentre as adversidades naturais da região, é a eterna presença de insetos, como o mosquito, o carapana e o pium.
Este último é o pior de todos. Como é um inseto muito pequeno, entra facilmente pelo tecido das roupas e da rede de dormir. O pium é uma espécie de borrachudo que transmite uma doença, a oncocercose, que pode provocar cegueira total no homem. Para prevenir, use repelente o tempo todo e esteja totalmente vestido no início da manhã e no final da tarde, principalmente se estiver perto de um rio.
O ambiente muito fechado da trilha do Pico da Neblina, significa que a fauna de grande porte é escassa. Mesmo assim, encontra-se cutias, macacos, ratos, mucuras e quatis. À noite, os ruídos mais típicos vem dos sapos, grilos e corujas. Acima dos dois mil metros, o clima fica mais agradável O visual começa a se mostrar mais aberto e a vista pode relaxar com as primeiras aparições da serra do Camelo e do Baruri. É aproximadamente nessa altitude que o Wissia (na região chama-se Seis e Meia), pássaro migratório dos EUA passa o verão. Ali e em outras montanhas no norte da América do Sul.
Rumo ao topo
Antes de se atingir o garimpo do Tucaninho, último acampamento antes do topo do Pico da Neblina, entra-se numa floresta de campos de altitude, com milhares de bromélias, gravatás, orquídeas, líquens, musgos e plantas carnívoras. A trilha fica mais lamacenta e não adianta segurar em galhos porque no mínimo esforço eles arrebentam.
Para quem deseja subir e descer no mesmo dia, o importante é sair bem cedo. O trajeto todo dura quase 10 horas. A trilha é uma espécie de "escalaminhada", onde o auxílio das mãos é imprescindível. Em apenas um pequeno trecho de dez metros de altura é recomendável o uso de cordas de alpinismo.
A única maneira de apreciar uma das paisagens mais lindas da Amazônia é quando não há neblina no topo da montanha. Ou seja, de manhã cedo e no final da tarde. Para isso, acampar no topo é a única solução plausível. E, para quem tiver fôlego para mais uma montanha, basta seguir, por uma hora, pelo lado esquerdo da crista que liga o Pico da Neblina ao 31 de Março, para atingir o segundo ponto mais alto país. A recompensa é a imagem do Pico da Neblina em forma de uma pirâmide de quase mil metros de altura.
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