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Na Estrada
História e dicas sobre o Pico da Neblina
Autor: João Paulo Barbosa
Até meados da década de 60, a atual área que abrange o Parque Nacional do Pico da Neblina era considerada como "terra de ninguém". O Brasil e a Venezuela ainda não haviam terminado com os litígios fronteiriços.
A primeira expedição ao Pico da Neblina, em outubro de 1964 não chegou a atingir o seu cume. Foi liderada pelo senhor Roldão e teve como participante o jornalista Carlos Marchesini que nos deixou a seguinte impressão: "Aquele era um mundo perdido, ainda intocado pelo homem". Ele estava correto pois, até a descoberta de ouro na região, o Pico da Neblina era totalmente ignorado.
A conquista definitiva veio no ano seguinte, quando ainda não estava confirmado se o Pico da Neblina era realmente brasileiro. Liderada pelo general Ernesto Bandeira Coelho, a expedição Mista de Limites - a segunda ao Pico da Neblina - alcança o ponto mais alto em março de 1965.
Até o início da década de 90, apenas cientistas e militares tinham permissão para explorar a região. Uma das expedições mais interessantes foi a coordenada pelo etnólogo (estudioso de insetos) Victor Py-Daniel, do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), que também fez pesquisas científicas da região do Morro dos Seis Lagos.
Dicas
Se o "Everest brasileiro" é o seu sonho de consumo, confira as dicas especiais de quem já esteve por lá e faça um planejamento cuidadoso antes de se aventurar:
- Uma expedição ao Pico da Neblina dura entre 10 e 15 dias, dependendo do ritmo do grupo e das condições climáticas.
- Uma capa de chuva é fundamental em todos os dias.
- Quando estiver caminhando e sentir que areia ou pedras entraram no seu calçado, pare e retire. O atrito com a pele pode comprometer a caminhada.
- Leve tampões de ouvido para o trecho da voadeira. Não é nada agradável o barulho constante do motor por mais de dez horas seguidas.
- É necessário uma permissão do Ibama para entrar no Parque Nacional do Pico da Neblina. Maiores informações no www.ibama.gov.br ou pelo telefone 0800-618080, que atende 24 horas.
- A taxa diária de permanência dentro do Parque é simbólica. Algo em torno dos R$ 4 por dia.
- Repelente e protetor solar são vitais.
- O ideal é contratar um mateiro que também seja piloto de voadeira. Os melhores chamam-se Branco e Arlindo.
- Para visitar qualquer aldeia indígena dentro do Parque Nacional do Pico da Neblina, é preciso uma autorização da Funai. Mais informações no www.funai.gov.br ou pelo telefone (61) 313-3500.
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