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Mountain Bike

Transporte alternativo sem alternativa...
Autor: Jaqueline Pedreira, de Nova Iorque


Um dos maiores problemas das grandes cidades do mundo é o transporte. Vários pesquisadores da área de engenharia de tráfego já avisaram que se nenhuma medida for tomada, cidades como Nova Iorque, Bangkok, Cidade do México e São Paulo entrarão em colapso em muito pouco tempo. Rodízios, incentivo a carona e muitos outros paliativos estão sendo adotados, mas nada disso está sendo suficiente. Uma solução? O transporte alternativo.

Parece óbvio que a implantação de uma infra-estrutura capaz de permitir que as pessoas deixem os carros na garagem e passem a se locomover no dia-a-dia de bicicleta poderia pelo menos melhorar de forma significativa o grande nó que se transformou o tráfego de carros nos grandes centros urbanos. Porém, quase nada foi ou é feito neste sentido.

É até uma contradição que uma das cidades que menos respeitem os ciclistas seja sede de um evento como este que aconteceu em Nova Iorque. Em 1972, 11 ciclistas foram mortos em conseqüência de atropelamento de carro. Em 1985 este número cresceu para 24 e em 1999 a cidade atingiu a triste marca de 35 ciclistas mortos por motoristas de carro.

"Um acidente é definido como algo que acontece de repente, sem ninguém esperar, sem nenhuma causa predeterminada. Quando um ciclista ou pedestre é assassinado no trânsito são os investigadores de acidentes que são chamados, não os de homicídios. O problema é que enquanto os de homicídio assumem que um assassinato aconteceu e investigam desta forma, os outros apenas constatam que um acidente aconteceu e pronto", diz John Kaehny, Diretor da Comissão de Transportes Alternativos de NYC, uma entidade que luta pela demarcação de faixas e ciclovias na cidade, e pela punição dos motoristas envolvidos nos "acidentes". Pior do que isso, segundo apurado pela entidade, a grande maioria das mortes são causadas por motoristas agressivos, aqueles que jogam mesmo os carros em cima de ciclistas e pedestres. O que aliás Nova Iorque tem bastante!

Nos últimos 5 anos o tráfego de carros em Nova Iorque cresceu 17%. Os semáforos são cada vez mais ajustados para favorecer o fluxo, e não para a diminuição de velocidade. Inúmeras faixas de ciclistas previstas foram trocadas por mais faixas para veículos. Onde será que tudo isso vai parar? Com certeza, só na hora que tudo realmente parar, literalmente...

Enquanto isso, no lado oeste dos Estados Unidos, a coisa parece ser bem mais desenvolvida... Apesar das inúmeras ladeiras, a cidade de São Francisco incentiva o uso da bicicleta de maneira ostensiva. Quase todas as ruas possuem faixas exclusivas para bikes. Bondes, ônibus, trens e até táxis possuem racks para que as pessoas possam transportar as bikes no caso de um percurso mais longo. Cultura, desenvolvimento, não importa. A questão agora é de sobrevivência!

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