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Mountain Bike
Pedalando pelas Américas
Autor: Leo Tenemblat
A bicicleta é o veículo, a mochila o cartão de visitas... E só! Dois brasileiros encararam o desafio de atravessar o continente americano em suas próprias bicicletas. Foram 12 países, 191 dias e 14.553km de viagem desde São Francisco, nos EUA, até Brasília. Confira agora tudo sobre a viagem. >>> »»»
Confesso que 6 meses antes da partida não sabia dizer nem o nome de todos os lugares pelos quais passaria, muito menos em que ordem... Não fazia idéia do que seria pedalar a 5.000 metros de altitude. E histórias da guerrilha colombiana eram apenas notícias de jornal. Hoje em dia posso ver claramente o quanto poderia ter me preparado muito melhor. Mas, também percebo que minha ousadia foi muito menos perigosa do que a maioria das pessoas previa, mesmo percorrendo os últimos 4 meses da viagem sozinho e sem barraca.
Planejamento e preparo
Meu companheiro Christian Reis (Kiko) e eu começamos o planejamento pelo globo e por mapas. Estimamos distâncias, estudamos rotas e, com a ajuda de guias de cada país e informações coletadas na Internet, conseguimos traçar o percurso que tentaríamos cumprir. A visita às embaixadas nos rendeu alguns mapas e muitos "ah, vocês são loucos, não vão conseguir", ou até "por que não vão de avião?".
As primeiras providências foram as vacinas (4 num só dia!), que quase me fizeram desmaiar (o Kiko ficou uma semana de cama). No meio de tanta logística, só treinamos juntos três vezes. Depois, nos preocupamos em providenciar um roteiro de cidades para cada dia e o Itamaraty tomou nota da nossa rota... Segundo eles, "para notificar os responsáveis no caso de algum problema...". Otimismo de sobra ... :-)
Fronteiras
Cruzar fronteiras de bicicleta é um tanto curioso. Por não ser nem um carro e nem um pedestre, nenhum dos procedimentos comuns se aplicam e isso pode facilitar ou dificultar a passagem. Na maior parte das fronteiras, quase nenhuma vistoria é feita. No México, por exemplo, sequer olharam nossos passaportes. Na Colômbia, país famoso pelo tráfico de drogas, nem quiseram ver o conteúdo das nossas mochilas! Já na Costa Rica, insistiram em passar um spray contra febre amarela nas minhas rodas e incluíram as minhas pernas... Reclamar nessas situações, nem pensar!
Na fronteira da Bolívia com Brasil, além das exigências de cópias dos documentos, quiseram cobrar uma taxa pelo carimbo no passaporte! Sabia que isso era ilegal mas não seria louco de discutir com guardas armados. Como estava sem bolivares (moeda local), o jeito foi apelar para um papo e sair pedalando...
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