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Mountain Bike
Alimentação e dificuldades
Autor: Leo Tenemblat
Comer e beber
Comida e bebida em uma viagem como esta se resumem em "o que encontrar". Não se pode ser fresco quanto ao tipo de alimentação. No México, por exemplo, queríamos variar um pouco o cardápio (após quase 2 meses comendo a mesma comida!) e seguimos a sugestão de um restaurante chinês. Decoração chinesa, garçonetes orientais, dragões no cardápio. Tudo perfeito... Mas, ao abrir o menu o que vimos? “Huevos rancheros”, “pollo en mole”, “tacos”... Só comida mexicana!
A "evolução da tortilha" também foi curiosa. À medida que se vai descendo ao sul, a tortilha fina e grande do México vai ficando mais grossa e com menor circunferência até virar uma espécie de bolacha mole em Honduras. Já a comida da Costa Rica foi fenomenal, com seus molhos simples e saborosos, e na Bolívia conseguimos comer muito bem por menos de 2 dólares. No Peru, a Coca-Cola é substituída pela Inca Kola, refrigerante feito de uma fruta da região.
Com o intuito de otimizar nosso desempenho, passamos a somente tomar café da manhã e jantar. Comíamos apenas lanches leves durante o dia e tomávamos muitos líquidos.
Maiores dificuldades
Com certeza, empurrar 40 ou 50 kg por 120km diariamente não é exatamente a imagem que todos têm de férias relaxadas. Mas, à medida que se vai acostumando com os obstáculos, aprende-se a incorporá-los no dia-a-dia e vão se tornando até um vício. O frio, a chuva, o vento, as montanhas, o oxigênio, a solidão, tudo se torna quase como um jogo, contra ou com a natureza. O esforço na subida de uma montanha torna a vista da descida muito mais prazerosa. A paciência com o vento é trocada pela euforia nos dias em que ele esta a seu favor. Aprende-se a não ignorar a natureza, e sim a entendê-la.
Provavelmente o maior desafio desta aventura foi a travessia dos Andes. Foram 4 dias só em estradas de terra, areia e pedras, subindo até alturas de quase 5.000m. Somente alguns poucos vilarejos para conseguir comida, água ou abrigo. O frio era absurdo após as quatro da tarde, ainda que com sol forte. O ar rarefeito dificultava ainda mais a situação.
No fim da travessia, a pele marcada pelo sol e frio, o corpo dolorido pela trepidação constante dos 40 kg de equipamento, e algumas histórias das poucas famílias que lá vivem e que me abrigaram durante a minha passagem.
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