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Mountain Bike
Duas bikes em viagem pelo Tibet
Autor: Leo Tenemblat
Conheça agora a viagem de dois bikers brasileiros pelos mistérios do Tibet. Foram cerca de 2.000 km em meio a altitudes de até 5.500m, passando por vilas nômades, cidades, vales e montanhas de uma região ao mesmo tempo exótica, espetacular e, o mais importante, inesquecível. >>> »»»
Não saem da minha cabeça as imagens dos tibetanos, com seus longos cabelos enrolados sobre a cabeça, presos por pequenos panos coloridos, nos observando por horas, paralisados e boquiabertos, rindo ao notar certos detalhes de seres tão estranhos, que se vestem com roupas apertadas e coloridas, cobertas de símbolos, e que usam chapéus pontiagudos de plástico, que se locomovem sobre duas rodas e dormem numa tenda pequena e sem fogão central!
Pois para nós o choque cultural foi tão grande quanto para eles. Talvez, a única diferença fosse o fato de já contarmos com isso.
Schaller e as onças-pintadas
Pelo que descobrimos lá mesmo no Tibet, nenhum ciclista estrangeiro havia estado por onde passamos. Aliás, pouquíssimos ocidentais já passaram pela região do Chang-Tang (ou Jang Tang). O único ocidental com conhecimento de causa em lugar tão ermo é o cientista norte-americano George Schaller, renomado zoólogo e que já estudou a onça-pintada no pantanal mato-grossense. Schaller faz pesquisas de campo no Jang Tang desde 1990 e observa algumas espécies de animais selvagens que lá habitam: o burro selvagem, a raposa tibetana, a cabra-antílope-goa e os camelos-bactrianos (de duas corcovas), entre outros.
Burros-selvagens
Para Jean e Chico, biólogos, observar a vida selvagem do altiplano tibetano representou a realização de um sonho. Até eu, que não tenho a formação em ciências naturais, confesso ter me emocionado com a visão de um bando de burros-selvagens galopando num platô desértico.
O platô tibetano e a região dos Himalaias é possivelmente uma das mais instáveis do planeta, graças a sua topografia. E sofremos com isso diariamente, principalmente pela época do ano ter sido caracterizada pelas monções (de julho a setembro ocorre 85% da chuva de todo o ano).
Neste ano, aparentemente o deus Naga, responsável pelo clima e catástrofes naturais, superou-se. Para os turistas que se aventuram no Tibet este ano foi um verdadeiro baile de jipes, escorregando pelas estradas enlameadas. Para nós, nas bicicletas, não foi muito mais fácil. A lama pegajosa dificultava a passagem e nas águas corríamos o risco de hipotermia caso não houvesse sol. É também desnecessário explicar os efeitos de qualquer esforço adicional a 4500m de altitude; tivemos que ser muito pacientes.
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