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Mountain Bike
2.000 km de pedal
Autor: Leo Tenemblat
Paciência foi necessária também para lidar com o motorista e o guia, ambos tibetanos, que acompanhavam o Chico no jipe de apoio. Tivemos que nos adaptar as diferenças culturais e encontrar, juntos, soluções para as dificuldades que tivemos de enfrentar. Dificuldades quanto ao comportamento e responsabilidades, de logística, de clima, condições de estrada e outros mais.
E a cada desafio superado, uma recompensa: um templo, um abrigo, montanhas de incontestável beleza, ou um festival tradicional. Momentos de apreciação da cultura local e da beleza natural que fazem valer uma expedição como a que fizemos, não apesar das dificuldades mas graças também a elas.
E o resultado foi este: pedalamos 2.000km em meio a altitudes de ate 5.500m, passando por vilas nômades onde se usa desde o chifre do iaque ao seu estrume para a sobrevivêcia. Por cidades como Lhasa onde ainda viva esta a religião budista, seus monges e seus devotos peregrinos que se arrastam entre cidades. Pelo campo base da montanha mais alta deste nosso mundo. E pelos simples vales e montanhas que ligam todos estes pontos, cada um com seu rio, seu lago salgado, suas pedras e suas estórias as quais se soma agora a nossa.
Bandeirinhas do Brasil
Firme e forte desta vez, resistiu até o final, presa a minha bicicleta. Jean e eu prendemos também bandeiras de oração, verde e amarela, respectivamente, abaixo as bandeiras do Brasil no mastro. Embora a minha bandeira tenha chegado ao final intacta, o mastro do Jean se rompeu e caiu em algum lugar ao sul de Dongco. Penso apenas, qual a conexão com o aspecto religioso das mesmas: a do Jean, amarela, símbolo do elemento terra, resta agora ao solo tibetano, enquanto a minha, verde, representando o vento, permaneceu fixa no mastro, batendo aos sopros do ar de Naga.
Este ano então acredito que acertamos na técnica e no equipamento, faltando agora, quem sabe, mais atenção à cultural local.
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