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Sua história

Aventuras e desventuras na Bolívia
Autor: Alexandre Vasarhelyi


Uma fantástica escalada no gelo se transforma em um pesadelo na Bolívia »»»

Inicialmente minha idéia era passar duas semanas na Bolívia sendo que na primeira iria participar de um curso de escalada em gelo na região do Condoriri e na segunda uma escalada ao Illimani, segunda mais alta montanha da Bolivia com seus 6.500 mts de altura.

Cheguei a La Paz em uma sexta-feira, já sentindo o impacto dos 3.800 metros da mais alta capital do mundo. Sábado ficamos na cidade aclimatando um pouco e terminando os preparativos para a viagem.

Domingo cedo saímos em três 4 X 4 em direção a região do Condoriri, que fica a três horas de carro de La Paz. Os carros chegam até uma represa e de lá em diante é só caminhar umas duas horas pra chegar ao acampamento base, 4.600 metros de altitude.

Começo do pesadelo
Montamos a barraca rápido e já comecei a sentir os sintomas da altitude com uma leve dor de cabeça e muita falta de ar. Estes sintomas pioraram durante a noite com um enjôo forte e muita vontade de ir ao banheiro. Na verdade nestas altitudes é comum passar mal nos primeiros dias, então já estávamos preparados para isso.

Na manhã seguinte o Guilherme, que dividia a barraca comigo, acordou e disse que tinha tido a pior noite da vida dele, o que a gente ainda não sabia é que esta seria a melhor noite que ele iria ter até o final da viagem...

No dia seguinte me senti melhor mas aproveitamos para descansar e arrumar “a casa”. Guilherme continuava a mostrar sinais de má aclimatação e passou uma noite muito dura, com dor de cabeça, falta de ar, insônia e vômitos que duraram a noite toda. Para aqueles que não conhecem, estes são sintomas clássicos de mal de montanha.

No dia seguinte saímos para exercícios no glaciar e o Guilherme ficou na barraca. O que não esperávamos é que a situação dele iria piorar ainda mais: além de não comer nada a dois dias ele passou também a não beber, então quando chegamos de volta ele já estava num estágio avançado de desidratação.

Noite em claro e decisão
Durante a noite troquei de barraca com um dos guias para que ele pudesse acompanhar melhor o estado de saúde do Guilherme. Fiquei acordado das 24:00 às 3:30hrs pensando nos problemas que estávamos enfrentando e na forma que os guias vinham adiando a decisão de descer o Guilherme. Para mim o caso dele era bastante preocupante.

Decidi descer no dia seguinte, pois já não estava achando a menor graça no programa e queria ajudar o meu companheiro de barraca. A situação do Guilherme estava lastimável! Ele não conseguia ficar sentado sozinho então começamos os preparativos para descer.

Como ele não conseguiria andar conseguimos um burro para levá-lo até o carro, que deveria estar nos esperando às 12:30hrs no mesmo lugar que tinha nos deixado.

Às 10:00hrs a turma que ia descer já estava pronta. Éramos um índio, duas mulas e três tontos (o guia, o Guilherme e eu).

Na próxima página: o pesadelo continua...

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