Gente que Faz  |   Destinos Clássicos  |   Utilidade Pública  |   Fale Conosco
Esportes  |   Fim de Semana  |   Mapas e Trilhas  |   Parques Nacionais  |   Na Estrada  |   Na Estante  |   Na História  |   Sua História

 

Sua história

Aventuras e desventuras na Bolívia
Autor: Alexandre Vasarhelyi


Depois de alguns tombos da mula, algumas paradas e alguns trechos no qual tivemos que carregar o Guilherme, chegamos ao nosso destino as 13:00hrs. Como desgraça pouca é bobagem, o carro não estava lá como o combinado.

Achamos que seria normal um pequeno atraso então ficamos esperando por algum tempo. O problema é que depois de três horas e meia o carro não tinha chegado e não tínhamos comida, bebida e cobertores para passar a noite. As opções? Voltar para o acampamento ou seguir por mais uma hora e meia para uma vila de dez casas que ficava no caminho.

Encontramos um pastor de lhamas que tinha uma moto e que levou o Guilherme para a vila enquanto eu, o guia, o índio e os dois burros seguimos caminhando.

Chegamos na vila às 17:30hrs e fomos direto para vendinha da cidade que tinha uns quatro pacotes de bolacha, uma água e duas tubainas. O melhor é que na cidade tinha um Corola 72 que fazia o serviço de Táxi. Esperamos pelo motorista e perguntamos se ele podia nos levar para La Paz.

Não podia, já que nem o taxi e nem ele tinham documentos... Mas ele concordou em nos levar até a próxima cidade de onde poderíamos pegar outro taxi para La Paz. Após 30 minutos de arrumação e gambiarras o motorista conseguiu fazer o motor funcionar e seguimos para uma cidade chamada Pacamanta.

Destino: La Paz. Situação: Incomunicável
Quase chegando a Pacamanta descobrimos que ninguém poderia nos levar a La Paz pois a cidade estava incomunicável. Parece que a forma dos campesinos de protesto é interditar todas as estradas evitando o transporte de pessoas e insumos e paralizando o país.

Com esta triste novidade perguntamos se tinha algum hotel em Pacamanta e obviamente a resposta foi não. Porém em outra cidade chamada Arapaiaca tinha um albergue. Seguimos em frente.

Como tudo conspirava contra, o pneu do carro furou e logicamente o cara não tinha estepe. A temperatura já beirava os zero graus. Fora que estávamos no meio do nada e continuávamos sem comida.

Como por um milagre, surge um outro taxista, que acaba nos levando para Arapaiaca. A cidade era bem maior do que as outras, mas ainda não chegava a ter 100 casas. Pelo menos era a primeira cidade da odisséia que tinha telefone.

Chegamos no albergue com a temperatura de uns - 5C, mas o albergue estava fechado. Na janela da frente tinha uma índia que nos indicou o dono da chave. 20 minutos depois eis que chega o tal dono da chave e abre a porta para que finalmente pudéssemos descansar um pouco.

A perspectiva de tomar um banho quente era muito animadora, pena que o albergue não tinha nem chuveiro quanto mais água quente! O guia saiu para fazer mais algumas ligações e voltou com uma excelente notícia: ele conseguiu convencer um taxista de La Paz a nos buscar. O cara iria cobrar USD 100 para uma viagem de 35Kms e viria nos pegar as 4:00 para fugir dos bloqueios.

Você pode imaginar que naquela altura dos acontecimentos a proposta ficou irrecusável! Vale lembrar que USD 100 na Bolívia é o salário de um mês de um taxista... Às 5:00hrs chegou o taxista junto com um amigo, que ajudaria a retirar as pedras da pista para permitir o avanço do carro.

Pedras pelo caminho. Literalmente!
A estrada estava completamente coberta por pedras e nas pontes eles colocavam barrancos de areia. Então a viagem consistia em: sair do taxi, tirar pedras, empurrar o carro, entrar no carro, andar um pouco e repetir a dose.

Chegamos no hotel em La Paz às 7:30hrs após umas seis paradas para tirar pedras. Tudo que queríamos era um chuveiro, um café da manhã e uma boa cama para tentar recuperar um pouco o cansaço das últimas horas.

Para nossa sorte o governo negociou uma trégua com os protestantes e conseguimos passear um pouco pela cidade e preparar a nossa volta para São Paulo no dia seguinte.

Bom o final da história foi mais feliz. Conseguimos chegar ao aeroporto quase sem problemas já que o taxista conhecia um caminho que não passava pelos bloqueios e com a diminuição da altitude, hidratação e alimentação o Guilherme começou a se sentir melhor e chegou a São Paulo andando sem problemas.

O interessante é que ele é um cara bem preparado. Ficou provado pra mim que esta questão de adaptação a altitude é muito pessoal.

De tudo isto fica a lição de pesquisar muito os serviços da agência que organiza as viagens e também sempre ver como está a situação política do país destino, principalmente quando vamos nos aventurar em países do “quinto mundo”.

| 1 | 2 | ««« anterior
 



Matérias Relacionadas:

Bolívia e Peru
Pancas (ES)
A maior montanha das Américas
Ecoturismo ou Terrorismo?
Aconcágua na Virada do Milênio

 

<< VOLTAR | Equipe  |   Como Anunciar  |   Nossa Meta