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Sua história
Um Hummer no Ártico
Autor: TransGlobal Environmental Expeditions
Um veículo parrudo, resistente e muito valente enfrenta os extremos do Ártico »»»
Uma expedição a bordo de um veículo inusitado, que atravessasse continentes e que chegasse a um dos pontos de mais difícil acesso do planeta: a região central do Alasca. Se isso já seria suficiente para escrever uma bela história de ação, o que pensar quando no meio do caminho os planos se modificam e o ponto final passa a ser a longínqua Baía de Prudhoe, localizada nas margens do Oceano Ártico, uma das fronteiras norte do último estado americano?
A bordo de um poderoso Hummer, equipado com o que há de mais avançado em aparelhagem de comunicação e navegação, quatro expedicionários venezuelanos, integrantes da equipe TransGlobal Environmental Expeditions, se lançaram rumo norte em busca deste imenso desafio: o Projeto Alasca.
O 49º estado norte-americano se transformou em uma atração para os aventureiros, não apenas pelas constantes temperaturas abaixo de zero ou pela neve que cobre a região quase o ano inteiro. A última fronteira da América, chamada de "a terra dos contrastes", apresenta características que se tornam um grande desafio para qualquer tentativa de exploração, principalmente terrestre.
Além dos vários ecossistemas como tundras secas, florestas úmidas, geleiras e até um deserto com dunas de areia, dentro dos 945 mil quilômetros quadrados do Alasca, só existem 8 estradas pavimentadas! Dá para imaginar?
Pois ainda não acabou... Como apenas 1% deste imenso território é habitado, a equipe que se aventurasse pela região precisaria ser capaz de realizar toda e qualquer manutenção do veículo. Peças de reposição? Estas, obrigatoriamente, precisariam fazer parte da bagagem. Sem dúvida, uma aventura e tanto...
Rumo ao ártico A idéia inicial do Projeto Alasca era sair da Venezuela em direção à Colômbia e atravessar a América Central até o México. Mas, problemas burocráticos e o fechamento da estrada de ferro Cartagena–Panamá fizeram com que a equipe decidisse encurtar a viagem em 2 mil quilômetros, dando a partida oficial da cidade de Miami.
Como tudo o que é normal não combina com expedições desse tipo, ao invés de traçar uma reta sul–norte e seguir direto para o Alasca, os quatro venezuelanos resolveram aproveitar a oportunidade e explorar todos os lugares inusitados que estivessem por perto. Como estavam na Flórida, começaram pelos estados do sul dos Estados Unidos e cruzaram a fronteira com o México.
Depois de descer pela parte central até a Cidade do México, seguiram em direção oeste até Mazatlán e de lá atravessaram o Golfo da Califórnia a bordo de um ferryboat. A equipe da TransGlobal acabava de chegar em um dos mais incríveis lugares do planeta: Baja California, um braço de terra que nos últimos milhares de anos vem se afastando do continente americano e que, segundo os geólogos, a longo prazo se transformará em uma ilha.
A etapa da Baja California acabou se transformando em uma das mais marcantes da expedição. Saindo da cidade de La Paz (a da Baja California!), a rodovia 1 faz uma volta no extremo sul do braço, Cabo San Lucas, e de lá segue em direção norte, atravessando paisagens desérticas que parecem "importadas" de outro planeta.
Milhares de quilômetros e muita emoção depois, os quatro venezuelanos finalmente chegaram em San Diego, porta de entrada para os Estados Unidos.
Subindo pelas rodovias da costa oeste, não precisaram de mais do que 8 dias para cruzar a fronteira com o Canadá. O objetivo estava próximo e a vontade de chegar parecia ser um combustível a mais para empurrar o Hummer adiante.
A chegada na cidade de Tok Junction e, conseqüentemente, a entrada na "fronteira da América", foi pela lendária Alaska Highway. Uma estrada construída em tempos de guerra, quando o governo americano foi obrigado a prover uma rodovia que ligasse o Canadá a Fairbanks (região central do Alasca). Por mais incrível que possa parecer, 55 anos depois, a Alaska Highway continua sendo a única estrada que liga o Alasca aos outros 48 estados americanos. O contato com características singulares e peculiares começava... e isso era só o início.
De Tok Junction, a equipe da TransGlobal seguiu, via "rodovia" 1, até Anchorage. Uma cidade que se transformou em referência do estado, tornando-se mais importante até do que a capital Juneau.
A estrada foi um capítulo à parte... Além da espessa camada de neve que dificultava a passagem do pesado Hummer, a região era tão intensa que foi difícil lembrar que a essa altura já estavam há 30 dias na estrada e que 15.316 quilômetros de chão já haviam ficado para trás.
Como se não bastasse tudo o que seus olhos estavam vendo, ao seguir em direção norte pela rodovia 3, os quatro venezuelanos tiveram ainda a oportunidade de conhecer o Monte McKinley, nada mais do que a maior montanha da América do Norte, com 6.194 metros.
Chegando em Fairbanks, região central do Alasca e que no plano original seria o ponto de retorno da expedição, a equipe resolveu se aventurar por terrenos desconhecidos e mais perigosos ainda, para atravessar o Círculo Polar Ártico e chegar até o Oceano Ártico que, a essa altura estava, "apenas" a 700 quilômetros ao norte. Extremo norte!
Sem dúvida, este foi o trecho mais difícil e também mais marcante de toda a viagem. Alcançar o círculo ártico significava estar muito distante da civilização e de qualquer tipo de ajuda. Avançá-lo, então, nem se fala! Só para se ter uma idéia, a certa altura da Dalton Highway – a "rodovia" feita de espessas camadas de neve que leva ao extremo norte do estado – existe uma placa desencorajando qualquer tentativa de seguir em frente. Coisas do tipo: "Após este ponto não existem mais áreas de serviço. Ao transpor esta barreira, a responsabilidade será do condutor." Aviso suficiente para uma meia-volta? Não para eles...
Na próxima página: O "tanque" continua sua aventura no gelo
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