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Montanhismo
A carreira
Autor: Fernando Monteiro
Aventure-se : Em sua carreira como escalador, o que foi mais gratificante e o que mais lhe aborreceu até hoje?
Makoto: A obsessão por resultados era tão grande que fazia com que eu deixasse de conhecer gente e culturas na vida cotidiana, além de me tornar uma pessoa de difícil relacionamento pela incompatibilidade de horários, etc. Isso foi o que mais me incomodou no meu histórico esportivo.
Já a coisa mais gratificante... Aconteceram tantas coisas, principalmente na época em que eu era guia e instrutor... Eu era quase como uma fábrica de sonhos para os que me procuravam... Você encontra uma pessoa que olha pra montanha e fala que nunca conseguiria fazer aquilo, aí você olha pra pessoa e diz que vai fazer aquilo em cinco dias! Isso é muito legal, ver uma pessoa desenvolver uma atividade muito além da sua capacidade e de seu limite, apenas em função de seu trabalho. Isso é quase que estar vendendo um sonho. :-)
Aventure-se : O cume é o ponto mais "alto" que o escalador pode conquistar?
Makoto: A escalada esportiva e alpina já não consideram mais "o cume". E mesmo em qualquer tipo de montanha, você não precisa chegar nele para caracterizar a escalada de uma via. Escalar vias, hoje, é seguramente mais importante do que chegar no cume. Em montanhas como Fitz Roy você tem várias vias que chegam no cume, porém chegar no Pilar Norte ou na via Goreta é seguramente mais importante do que você chegar no topo. Outra coisa é o estilo. Você escalar o Everest dentro de uma estrutura de expedição pesada, levando 40, 50 dias... isso é uma coisa. Agora fazer isso no estilo alpino carregando suas próprias coisas, sem oxigênio, você e o meio ambiente é outra coisa bem diferente.
O Everest já foi conquistado em menos de 20 horas. Acho que o mais importante é como você chegou, e no caso de escalada alpina também conta a temporada. Se a temporada é boa, a escalada se torna fácil. Se rigorosa, a escalada é mais difícil, e por aí vai.
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