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Montanhismo

Entrevista: Guilherme Rocha
Autor: Fernando Monteiro


Aventura é para todos, mas prudência é fundamental. No domingo, dia 16 de julho de 2000, uma simples falta de estratégia de 3 turistas, desencadeou uma verdadeira operação resgate no mais antigo parque do Brasil, o Parque Nacional do Itatiaia, região sudeste do Brasil. »»»

O Aventure-se conversou com Guilherme Rocha, um dos responsáveis pelo sucesso da operação que, entre outras coisas, nos dá uma lição de que bom senso nunca pode faltar na mochila de qualquer aventureiro. >>>

Aventure-se: Conta um pouco do que aconteceu em Itatiaia?

Guilherme Rocha: No domingo dia (16/7) às 13h fui acionado como de costume pelo vice-diretor do Parque Nacional do Itatiaia, Carlos Fernandes, para auxiliar e coordenar as buscas dos perdidos. Subi com meu amigo e alpinista Fábio Guedes.

Assim que cheguei na região do Planalto do Itatiaia, encontrei bombeiros que auxiliavam nas buscas e dois outros guias. Já eram 16h e todos me falaram para deixar para o outro dia, pois a nebulosidade era grande e não demoraria para escurecer. Achei um absurdo: as pessoas estavam perdidas desde o sábado às 15h e passaram a noite debaixo de chuva e suportando um frio que provavelmente chegava abaixo de zero. Conheço a região como a palma de minha mão, e para mim tanto faz procurar a noite como de dia.

A estratégia

Aventure-se: E que caminho vocês seguiram?

Guilherme Rocha: Às 16h15 eu e Fábio saímos para busca. Resolvemos escolher um local nas imediações da Pedra do Altar, já que foram vistos pela última vez próximo aos "Ovos da Galinha". Tínhamos um rádio, comida quente, primeiros socorros, agasalhos sobressalentes e remédios. Tínhamos também a descrição de suas roupas, caso os encontrássemos em uma situação de impossibilidade de se comunicar. Eram três turistas: dois do sexo masculino tendo 25 e 20 anos e uma do sexo feminino tendo 24 anos.

Às 17h15 encontramos os três. Já acostumado a fazer resgates na área, tive sorte em escolher uma região bem atrás da Pedra do Altar. Na verdade, eram três pontos possíveis de rastreamento. Exaustos, molhados, com a comida acabando e com pouco agasalho para suportar chuva e frio, os três até apresentavam um estado geral bom. Servimos comida quente para os perdidos e pelo rádio suspendemos as buscas. Quando voltávamos ainda encontramos com o Exército (AMAN) que havia iniciado as buscas há alguns minutos atrás.

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