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Montanhismo
No topo das Américas
Autor: Celso Sugiyama
“O monte Aconcágua foi um dos maiores desafios da minha vida e chegar ao Teto das Américas foi uma experiência emocionante” (Celso Sugiyama) »»»
Escalado pela 1ª vez pelo suíço Mathias Zurbriggen, o Aconcágua é o ponto mais alto das Américas com quase 7000 metros de altitude. Todos os anos, milhares de pessoas tentam chegar ao cume da montanha, porém poucos têm sucesso devido a vários fatores - condições climáticas adversas (principalmente frio e ventos extremos), equipamento técnico inadequado, condicionamento físico, aclimatação e controle mental.
A idéia de escalar o Aconcágua surgiu após eu ter escalado o Kilimanjaro, ponto mais alto do continente Africano com quase 6000 metros de altura, em 2002. A preparação para o topo das Américas durou quase 8 meses com treinamento intenso, alternando corridas à noite e musculação.
O grupo que partiu do Brasil era formado por 4 brasileiros (eu, Amauri Coutinho, Marcio Sartori e Abiud Lourenço). Na Argentina, o grupo expandiu com a inclusão de estrangeiros de vários países como Bélgica, Alemanha, Argentina e Inglaterra. O grupo passou a ter 12 pessoas, bastante heterogêneo, porém com um objetivo comum.
O planejamento logístico foi essencial para o sucesso da empreitada. Contávamos com um guia especializado de Mendonza (Argentina) e vários assistentes para apoio nesta área, transporte e suporte na ascensão ao cume. Para tanto, foram feitas várias reuniões em São Paulo com os integrantes da equipe para discutir e checar equipamento, rota etc.
As maiores dificuldades durante a escalada foram a aclimatação, frio e ar seco. Próximo ao cume, a temperatura caiu para -30C° com fortes ventos. À noite, tínhamos que colocar todas as garrafas d’água dentro do saco de dormir para não congelar. Além disso, acima de 5000 mts, o ar é bastante escasso e qualquer esforço consumia uma energia tremenda. O ar seco também contribuía para o desgaste físico, fazendo com que a boca, nariz e junta das mãos sangrassem.
No total, foram duas tentativas consecutivas. O primeiro ataque ao cume foi no dia 30 de dezembro de 2003, quando chegamos a 150 metros do cume e tivemos que voltar. Já era bem tarde e o guia sinalizou que tínhamos que retornar ao acampamento. Fiquei bastante triste, chorei, mas não desisti. A segunda tentativa ocorreu no dia 9 de janeiro de 2004, quando atingi o cume sozinho às 13:00. Fui o primeiro brasileiro a chegar no cume da montanha em 2004.
Para aqueles que se interessaram, mais alguns motivos para praticar o montanhismo:
• Nas montanhas enfrentamos situações adversas, as quais nos permitem desenvolver habilidades de improvisação, imaginação e organização.
• Nas montanhas descobrimos nossos limites, nosso físico, nossa resistência, nossos medos e também nosso potencial. Provamos nossa força, coragem e natureza para o sacrifício, além de enfrentar nosso desconforto.
• Nas montanhas enfrentamos frio, calor, fadiga, vento, umidade, chuva e neve, dormindo em uma barraca. Passamos a valorizar pequenas coisas que passam desapercebidas no nosso dia-a-dia.
• Nas montanhas observamos belos e enormes lagos, noites repletas de estrelas, florestas, lagos, riachos, rochas, neve e picos. As paisagens são indescritíveis e inesquecíveis, sendo somente acessíveis através desta prática.
• Nas montanhas descobrimos coisas e situações novas, uma verdadeira escola da vida.
Para saber mais sobre o Mt. Aconcágua, acesse:
http://www.aconcagua.com
http://www.7summits.com
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