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Corrida de Aventura

Entrevista: EMA Brasil
Autor: Ricardo Bassani


O Aventure-se esteve na festa de comemoração organizada pela Sociedade Brasileira Multisport Adventure Race, para a equipe EMA/Brasil, 26ª colocada no Eco-Challenge 2000, uma das provas mais importantes do circuito internacional de corridas de aventura. »»»

Fazia menos de 12 horas que o capitão Júlio Pieroni, o navegador Valdir Pavão e a campeã de canoagem Carmem da Silva chegaram ao Brasil (a outra integrante da equipa, Silvia "Shubi" Guimarães está em Miami), mas a empolgação e a disposição dos três era contagiante. Confira os depoimentos exclusivos dos atletas que estiveram durante 15 dias, enfrentando as matas fechadas e selvagens de Sabah, na Malásia, e sinta um pouco da emoção de competir uma das mais difíceis corridas de aventura do mundo.

Aventure-se: Qual a idéia que você saiu do Brasil e qual a idéia que você tem hoje do Eco-Challenge?

Júlio Pieroni: Achei que não seria tão difícil quanto foi, achei que era uma prova longa, que ia ser preciso um ritmo forte, mas que ia andar. No fim não era nada disso: o barco, por exemplo, tinha 7 metros, era pesado e de madeira, não tinha a menor mobilidade, e muita gente ficou nesse trecho, o barco virou e encheu de água, não tinha como tirar das pedras. Além disso, o mato era o mais fechado que eu já vi na vida, muito difícil de andar, você andava meio km/h, dava medo... Nem dava para curtir muito porque dava para ver só meio metro pra frente. E vira e mexe você tinha sanguessuga no corpo...

Foi muito mais difícil do que eu esperava. Toda perna (trecho do percurso) podia tirar você da corrida, a navegação era complicada; eles não davam as distâncias: você é que tinha que medir, ver quanto tempo iria demorar, qual a melhor rota... A organização dava a coordenada do PC e um abraço.

Carmem da Silva: A idéia que eu tinha é de que eu iria enfrentar coisas inéditas pra mim em termos de corridas de aventura, e não foi diferente do que eu pensava. Passamos por momentos bem difíceis, uma prova que você não tinha trégua, era uma paulada em cima da outra, não dava pra relaxar. E por ser sem apoio eu sabia que tinha que ter uma postura meio auto-suficiente. Mas eu não tive problemas nesse aspecto, e acho que foi o que pegou, porque a gente se enrolou muito em termos de transição. A gente teve que aprender a lidar com a falta de apoio e se virar. Os mais auto-suficientes tinham que ajudar o restante, e durante a prova a gente foi acertando esse tipo de coisa.

Valdir Pavão: Eu tinha uma idéia incompleta... Tentei fazer o Eco-Challenge no ano passado com uma outra equipe, mas não conseguimos. O que pra mim mudou é que a gente percebeu que foi uma prova mais difícil que a do ano passado, tanto em termos de técnica quanto em meios de progressão, e que o Brasil tem realmente evoluído muito nessa modalidade.

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