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Corrida de Aventura

O empenho de cada um na prova
Autor: Ricardo Bassani


Aventure-se: Qual a sua especialidade e em que isso ajudou na prova?

Júlio Pieroni: Não sou especialista, mas ando muito rápido no mato... Isso ajudou a nossa equipe. Durante as pernas a gente tinha um tempo bom, comparando com o pelotão dos 10, 20 primeiros. Só não chegamos entre os 20 porque cometemos uns erros no começo que foram cruciais. Não entendemos as informações e andamos muito mais do que deveríamos.

Carmem da Silva: A minha especialidade, que é a canoagem, ajudou muito. E a gente teve por baixo uns 290km só de água. Eu não parei de remar um minuto e isso manteve a gente sempre andando. Mesmo quando tinha alguém descansando eu estava sempre remando, porque eu sou condicionada a isso e não sentia cansaço. E foi justamente nas pernas de água que a gente ganhava colocações.

Valdir Pavão: Na verdade não sou especialista, mas a experiência que a gente passa a acumular à medida que vai fazendo provas longas deixa você mais apto em algumas coisas. Pela minha profissão, que é a de bombeiro, tenho familiaridade com ambiente aquático, com a parte de altura, e isso realmente dá uma ajuda na hora em que você está cansado e começa a fazer as coisas no automático.

Aventure-se: Depois que o risco acaba, parece fácil. O que ficou na sua memória como o momento mais perigoso?

Júlio Pieroni: Teve um trekking que tinha uma parte de rio, cheia de canyons Ali foi um momento em que eu senti medo... Pra nossa sorte a gente combinou com mais duas equipes de ir junto, tivemos que fazer corrente humana para passar em alguns lugares. Na primeira metade do rio tinha corredeira até nível 3. Foi um momento tenso, não por medo da gente se machucar, mas por que ali poderia acabar a prova. Fora os crocodilos... :-)

Carmem da Silva: Foi justamente o momento na água, que foram 100 km de canoa em rio com corredeiras. E a gente fez a maior parte à noite! Passamos por momentos tensos, porque não dava pra parar e descansar na margem, nem podia cair na água porque tinha crocodilos. Eu estava na frente do barco e ficava mais tensa ainda porque eu era responsável em ver as pedras e dar a linha pra quem estava no leme. Às vezes eu me via de frente com uma pedra enorme e tentava desviar, mas não dava tempo e quase virava.

Valdir Pavão: Acho que foi um trekking em que optei, por ser o navegador, em seguir pelo rio. Só que esse rio acabou virando uma corredeira. A gente teve que descer nadando e isso foi bastante difícil. Andamos nesse rio uns 13 km, e essa corredeira, que era de um nível 3, 4, representava uns 2km ou 3km do rio.

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