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Surf
As ondas geladas do Chile
Autor: Flávio Vidigal
É inquietante saber que as ondas estão tão perto. A costa da América do Sul banhada pelo Pacífico é privilegiada e não é preciso ir muito longe. Basta ultrapassar a implacável Cordilheira dos Andes e o deserto salgado do Atacama para desfrutar de um inesperado tesouro: as ondas geladas do Chile. »»»
Nos últimos tempos as revistas de surf têm procurado levar suas lentes aos mais inusitados picos do planeta. Nessa busca por ondas perfeitas para ilustrar suas páginas, muitos lugares foram descobertos e seus potenciais revelados. Foi assim recentemente com o litoral chileno.
Um fenômeno conhecido com Marejada, traz ondas de volume assustador e que chegam aos fundos rasos da costa sem a presença da Plataforma Continental. A plataforma, que no Brasil força as ondulações a cavalgarem algumas léguas, é praticamente inexistente no Chile. O impacto disso pode ser sentido em cada série que é avistada em Arica e Iquique.
Nosso objetivo nessa investida no Chile é o litoral norte. Nossa expedição foi preparada, levando alguns dos melhores big riders do país para de uma vez por todas comprovar a qualidade das ondas chilenas. Começa assim, uma tentativa de se conhecer os limites de uma das ondas mais pesadas do Pacífico Sul.
Arica
Foi em Arica o começo desta terceira expedição ao solo chileno. Longe da costa a uns 800 metros, uma bancada recebia ondas de até 15 pés. Era "El Boi", uma onda perfeita e muito longa, que necessita de um barco para transporte de equipamentos de filmagem e fotografia. Resolvemos optar por "El Gringo", que quebrava na cara das pedras com 12 pés. O pico se dividia numa direita longa e tubular e uma esquerda grande, curta e sem água embaixo.
Fora da água uma platéia acompanhava impressionada a atitude dos surfistas. Os dias que sucederam não foram diferentes. "El Gringo" esteve com 6 a 8 pés, com seções perigosas. A julgar pela quantidade de pranchas quebradas, machucados e hematomas, este deve ter sido um dos maiores desafios enfrentados pela expedição. "El Monstro", o out side de "Toro Vieho", também esteve quebrando e os drops levaram todos ao delírio.
Iquique
Em setembro de 1992 estivemos pela primeira vez no Chile para fazer a cobertura da primeira etapa do circuito mundial naquele país. Naquela ocasião um swell, recebeu nossa equipe. Desta vez, outro swell nos recebeu e "El Colegio", uma direita forte e bastante volumosa, acordou para um novo encontro numa região árida com ondas mais pesadas deste lado do Pacífico.
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